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Estudo encomendado por ONG diz que a reciclagem pode cortar para metade a procura de lítio e níquel novos na Europa até 2040

Redação Eletrificados · 21 de outubro de 2026·4 min de leitura
Estudo encomendado por ONG diz que a reciclagem pode cortar para metade a procura de lítio e níquel novos na Europa até 2040

O Öko-Institut, instituto alemão de investigação ambiental, publicou a 19 de outubro um estudo segundo o qual a reciclagem de baterias poderia reduzir em cerca de metade, até 2040, a necessidade de lítio e de níquel extraídos de novo na Europa, e em 69% a de cobalto. O trabalho, intitulado "Decarbonising Road Transport Beyond Mining-Intensive Pathways", foi encomendado pelas organizações SOMO, Seas At Risk e PowerShift e divulgado pela Coligação Europeia das Matérias-Primas, uma plataforma de organizações não governamentais.

Os valores da reciclagem dizem respeito apenas à procura de material primário e variam consoante o ano. Para o lítio, o estudo aponta uma redução de 11% em 2035 e de 52% em 2040. Para o níquel, 16% e 50%. Para o cobalto, 40% e 69%, e para o manganês, 10% e 19%. A tabela do estudo associa ao níquel cerca de 250.000 toneladas, valor que o Jornal Económico apresenta como poupança até 2040.

A reciclagem é só uma de cinco medidas analisadas. Carros mais pequenos reduziriam em cerca de 17% a procura de lítio, níquel e cobalto em 2035, face a um cenário sem alterações. Os ganhos de eficiência energética rondariam os 14% em 2035 e, em termos acumulados até 2050, cerca de 28% no lítio, 29% no níquel e 25% no cobalto. A mudança para outros meios de transporte e a redução das viagens teriam um efeito de cerca de 10% em 2035 e de até 36% em 2050. Estes últimos valores vêm de trabalhos anteriores, nomeadamente do ICCT, e os próprios autores reconhecem que assentam em pressupostos otimistas. O estudo também não diz que as poupanças se possam somar, e avisa que as fontes usam bases, métodos e horizontes temporais diferentes.

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Entre as recomendações dirigidas a Bruxelas estão manter as metas de conteúdo reciclado do Regulamento das Baterias na revisão de 2028 e alargá-las ao manganês e à grafite na de 2031, e fixar metas de capacidade de reciclagem no regulamento das matérias-primas críticas. Os autores propõem ainda limitar a 4,0 metros o comprimento da categoria de veículos pequenos (M1E), ligar impostos e estacionamento à dimensão dos carros, acrescentar um limiar mínimo de eficiência energética às normas de emissões de CO2 e usar critérios de consumo e de conteúdo reciclado na contratação pública. Pedem também que parte do orçamento da UE para 2028-2034 e do Fundo Social para o Clima vá para os transportes públicos.

"A Europa não deve tratar a mineração como a única forma de garantir os materiais de que a transição limpa precisa", afirmou Simon Granberg, da Seas At Risk, citado pela Resource Recycling. A página da coligação diz que 35 organizações pedem à UE que aja com base nas conclusões, enquanto a Lusa e o Jornal Económico falam em 40. A Lusa recorda ainda que Portugal tem algumas das maiores reservas de lítio conhecidas na Europa, entre elas Covas do Barroso, onde moradores contestam a exploração mineira. A síntese das recomendações está disponível em português no site da coligação.

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O tema cruza-se com a discussão sobre o abastecimento de baterias europeias, que o eletrificados.pt já noticiou a propósito de um estudo encomendado pela ACEA e da resposta da Transport & Environment.

Nota editorial: cautela jornalística.
Confirmámos de forma independente, com o relatório original (Öko-Institut, 19 de outubro, disponível no site da coligação e no do instituto): as percentagens de reciclagem, de carros mais pequenos, de eficiência energética e de mudança modal, os autores, as três organizações que o encomendaram e as recomendações. Estas conclusões foram também reportadas pela SOMO, pela Resource Recycling, pela Lusa (via Portugal Resident) e pelo Jornal Económico, mas todas partem do mesmo relatório, pelo que não são fontes independentes entre si. O estudo foi encomendado por organizações que defendem uma redução da mineração, e o caderno de encargos previa uma revisão de estudos existentes e não nova modelação. Não conseguimos confirmar de forma independente o número de organizações que apoiam as conclusões (35 segundo a coligação, 40 segundo a Lusa e o Jornal Económico). O valor de 250.000 toneladas de níquel consta de uma tabela cuja leitura é ambígua, e os autores avisam que as toneladas absolutas usam pressupostos harmonizados e podem diferir das fontes originais. Os valores do Portugal Resident e da Resource Recycling diferem ligeiramente dos do relatório quanto aos anos, e seguimos o relatório.

Imagem criada por IA.

Fontes: Coligação Europeia das Matérias-Primas; Öko-Institut (relatório); SOMO; Resource Recycling; Portugal Resident (Lusa); Jornal Económico.

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