Um estudo encomendado pela ACEA avisa que a Europa não vai ter baterias suficientes para cumprir as suas próprias regras
Um estudo encomendado pela ACEA, a associação europeia de construtores automóveis, e realizado pela consultora Mobility Global, conclui que a cadeia de fornecimento de baterias da Europa não terá capacidade suficiente para cumprir as exigências do Industrial Accelerator Act, a lei que a própria União Europeia está a preparar para proteger a indústria de baterias do continente.
O que é o Industrial Accelerator Act
Proposto em março, como parte da "Battery Booster Strategy" anunciada pela Comissão Europeia em dezembro passado, o Industrial Accelerator Act tem entrada em vigor prevista para 2028. A lei exige que determinados componentes, como células de bateria, materiais catódicos ativos e sistemas de gestão da bateria, sejam fabricados na Europa para que um carro elétrico possa aceder a contratos públicos ou a programas de apoio. A exigência começa por abranger menos componentes, mas sobe para cinco componentes de origem europeia por volta de 2030-2031, três anos depois da entrada em vigor da lei.
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Abrir o comparador →Três cenários, o mesmo resultado
O estudo testou três cenários de procura, desde um mais otimista, que inclui compradores particulares a beneficiar de incentivos, até um mais conservador, limitado a frotas de empresas e compras públicas. Em todos os três, a oferta europeia de baterias fica sempre aquém da procura, mesmo com a capacidade de produção de células na Europa a atingir os 306 GWh até 2032. Se o Industrial Accelerator Act entrar em vigor em 2028 como previsto, cerca de três milhões de carros podem ficar sem conseguir cumprir os requisitos para aceder aos incentivos associados à lei, por falta de baterias europeias suficientes.

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Os veículos comerciais são os mais afetados
O problema agrava-se nos veículos comerciais de média e grande dimensão: segundo o estudo, a diferença entre a procura e a oferta europeia disponível vai alargar-se até aos 23 GWh em 2032, com a procura a chegar a ser cerca de quatro vezes superior à oferta. Segundo a Bytes Europe, este défice pode manter-se até 2038-2040, mesmo no cenário de procura mais baixo.
Um desajuste estrutural
O estudo aponta ainda uma desalinhamento de fundo: a maioria das gigafábricas europeias planeadas está focada em baterias de química NMC, enquanto a procura do mercado se tem deslocado cada vez mais para as baterias LFP, mais baratas. Como já tínhamos noticiado aqui a propósito do relatório do Bruegel, este tipo de exigência de produção local tem um custo: as células europeias custam hoje cerca de 90% mais do que as chinesas equivalentes, uma diferença que, mesmo no melhor cenário, só deverá descer para cerca de 30% até 2030, traduzindo-se ainda assim num "prémio de soberania" estimado em cerca de 500€ por carro elétrico.
Fontes: electrive.com, ACEA, Finance Connect, Bytes Europe.
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