Um estudo belga encontrou excesso de velocidade em mais de metade das zonas de 30 km/h testadas com o Tesla FSD, semanas antes de um voto da UE
Um estudo publicado esta quinta-feira pela Johanna.be, uma organização belga sem fins lucrativos dedicada à segurança de peões e ciclistas, encontrou excesso de velocidade em 55% das zonas de 30 km/h testadas em Bruxelas com o sistema Full Self-Driving (Supervisionado) da Tesla, com uma velocidade média de 44 km/h nos troços onde ultrapassou o limite. Os resultados chegam poucas semanas antes de um possível voto dos Estados-membros da UE sobre a aprovação do sistema em todo o bloco.
Os números do estudo
Os testes decorreram ao longo de três dias em julho, totalizando cerca de 400 km, focados sobretudo em vias de baixa velocidade onde peões e ciclistas estão mais expostos. Além das zonas de 30 km/h, o sistema também ultrapassou o limite de 20 km/h em 42% dos "woonerven" (ruas residenciais partilhadas) testados. Em cerca de 90% dos 29 troços de 30 km/h analisados, o ecrã do carro mostrou o limite de velocidade errado, em vários casos reconhecendo corretamente um sinal de 30 km/h através das câmaras, para depois voltar a apresentar 50 km/h como limite em vigor. A organização documentou ainda o sistema a tentar repetidamente ultrapassar ciclistas em "fietsstraten" (ruas cicláveis), onde as regras de trânsito belgas proíbem essa manobra a automóveis.
Porque é que a diferença de velocidade importa
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Abrir o comparador →A Johanna cita dados da Organização Mundial da Saúde segundo os quais um peão atropelado a 44 km/h tem uma probabilidade quase seis vezes maior de morrer do que um atropelado a 30 km/h, a razão pela qual Bruxelas tornou os 30 km/h no limite por defeito na maior parte da região em 2021.
Nem tudo foi negativo

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A organização reconhece que o FSD geralmente cede de forma prudente a peões e ciclistas, muitas vezes antes de ser legalmente obrigado a isso. Ainda assim, conclui que essa cortesia nas passadeiras não compensa o excesso de velocidade sistemático precisamente nos locais onde um erro tem mais probabilidade de ser fatal.
O que está em jogo
A Johanna enviou os resultados completos ao regulador neerlandês RDW e ao ministério da mobilidade flamengo a 7 de setembro, pedindo-lhes que reconsiderem as aprovações já concedidas antes do voto da UE, previsto para 6 de outubro e que exige o apoio de 55% dos Estados-membros, representando 65% da população da União. A Suécia já pediu formalmente à UE que rejeite a aprovação do FSD, a menos que a Tesla remova o "Speed Offset", uma funcionalidade que permite ao condutor configurar o sistema para ultrapassar os limites de velocidade sinalizados. O Conselho Europeu de Segurança no Transporte também já questionou se o sistema consegue respeitar regras de trânsito que variam de país para país.
A resposta do lado regulatório
A ministra flamenga da Mobilidade, Annick De Ridder, tinha aprovado o FSD (Supervisionado) a 10 de junho, depois de a Tesla ter completado 5.000 km de testes supervisionados em estradas flamengas. O regulador neerlandês RDW testou o sistema durante mais de 18 meses e sublinha que se mantém um sistema de assistência à condução, exigindo supervisão humana contínua. Xavier Lesenne, porta-voz do ministério dos transportes flamengo, defendeu a aprovação já concedida, descrevendo o FSD como "um sistema de aprendizagem que processa continuamente informação nova e adicional" e que se adapta ao longo do tempo.
Fontes: Johanna.be, Electrek, Reuters, Global Banking & Finance.
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