Um estudo reprovou as 25 maiores marcas automóveis em privacidade, e as multas já chegam aos milhões
Um estudo do projeto "Automatic Transmission", da Northeastern University, citado pelo Pplware, confirma que fabricantes como a Honda, a General Motors e a Ford continuam a monitorizar os condutores através de cartões SIM instalados nos próprios carros, enviando dados para os servidores das marcas de forma silenciosa. Segundo a mesma investigação, desativar as funções de telemetria nos menus do sistema de entretenimento raramente impede a transmissão dos dados técnicos, e recusar a partilha implica, na prática, perder funcionalidades básicas de conectividade.
Um estudo que reprovou toda a indústria
Esta não é uma preocupação isolada: a Mozilla Foundation avaliou 25 marcas automóveis em privacidade, e todas receberam o aviso "Privacidade Não Incluída". Segundo o estudo, 92% das marcas não dão aos condutores controlo suficiente sobre os seus próprios dados pessoais.
Multas e ações judiciais já em curso
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Abrir o comparador →Nos Estados Unidos, os reguladores já passaram das palavras aos atos. Em janeiro, a Comissão Federal do Comércio (FTC) fechou um acordo com a General Motors e a sua divisão OnStar, por recolher e vender dados de localização sem consentimento adequado, banindo a marca de vender dados de condução a agências de informação ao consumidor durante cinco anos. Na Califórnia, o regulador de proteção de dados aplicou à General Motors uma multa recorde de 12,75 milhões de dólares pela venda de dados do OnStar, além de 632.500 dólares à Honda e 375.703 dólares à Ford, esta última especificamente por exigir uma verificação por email antes de processar pedidos de exclusão dos clientes. No Texas, o procurador-geral processou diretamente a General Motors, e enviou ainda pedidos formais à Ford, à Hyundai, à Toyota e à Stellantis, exigindo respostas sob juramento sobre as suas práticas de recolha e partilha de dados. O procurador-geral do Montana abriu, por seu lado, uma investigação separada à Ford e à Stellantis pela venda de dados pessoais de condutores a terceiros.
Que dados, e para onde vão

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Os dados recolhidos incluem localização, velocidade, padrões de travagem e aceleração, contactos telefónicos e histórico de chamadas, e, em modelos mais recentes, dados biométricos. Duas corretoras de dados, a LexisNexis Risk Solutions e a Verisk Analytics, ocupam um papel central neste mercado: a Verisk reclama ter acesso à telemetria de fabricantes que representam quase metade das vendas de carros novos nos EUA. Segundo documentos tornados públicos, a Honda recebeu apenas 25.920 dólares por quatro anos de dados vendidos a uma destas corretoras, e a Hyundai recebeu um milhão de dólares por seis anos, um valor que a marca classificou como uma "má interpretação" da forma como os dados foram usados.
Nem todas as marcas dizem o mesmo
Vale a pena ouvir também o outro lado: a diretora de privacidade da Ford já veio a público dizer que a marca "não vende dados de veículos conectados, ponto final", descrevendo o uso desses dados como estando "sobretudo ligado a garantir a qualidade do desempenho do veículo, oferecer produtos e serviços pedidos pelo cliente, e garantir a segurança".
Com a conectividade automóvel a crescer, e cerca de 95% dos veículos a ficarem ligados à internet até 2030 segundo estimativas do setor, este debate sobre quem controla os dados na estrada só deverá intensificar-se.
Fontes: Pplware, Northeastern University (Automatic Transmission), Mozilla Foundation, Consumer Reports, The Record.
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