A Tesla teve um lucro de 787 milhões de dólares no terceiro trimestre, menos 43%, e baixou o investimento previsto para 2026 para cerca de 20 mil milhões
A Tesla teve um lucro líquido de 787 milhões de dólares no terceiro trimestre de 2026, menos 43% do que os 1,37 mil milhões de há um ano, ou 0,22 dólares por ação, segundo o relatório trimestral divulgado a 21 de outubro. A receita ficou praticamente estável, em 28,05 mil milhões de dólares (28,10 mil milhões em 2025). O lucro por ação ajustado foi de 0,48 dólares, acima das previsões dos analistas, entre 0,44 e 0,45 dólares conforme a fonte, mas abaixo dos 0,50 de há um ano. O resultado líquido inclui um ganho não realizado de 288 milhões em bitcoin e uma perda não realizada de 142 milhões na participação na SpaceX, segundo a Electrek.
A margem bruta subiu para 19,6%, contra 18,0% um ano antes, e a margem do negócio automóvel sem créditos regulatórios passou de 15,4% para 18,1%. Os custos é que aumentaram. As despesas operacionais subiram 39%, para 4,78 mil milhões, com a investigação e desenvolvimento a avançar 69%, para 2,76 mil milhões, e os custos com remunerações em ações a chegarem a 1,17 mil milhões, contra 660 milhões. O resultado operacional caiu 56%, para 718 milhões, uma margem de 2,6%.
O fluxo de caixa livre foi positivo, em 1,53 mil milhões, contra 3,99 mil milhões no ano passado: a Tesla gerou 6,26 mil milhões em caixa operacional e investiu 4,73 mil milhões, mais do dobro dos 2,25 mil milhões de há um ano. A StockTitan calcula que, sem o efeito de cerca de 4 mil milhões de aumento em contas a pagar e passivos acumulados, o fluxo de caixa livre seria negativo em cerca de 1,06 mil milhões (conta daquela publicação). A Tesla fechou o trimestre com 45,4 mil milhões em caixa e investimentos e, segundo o relatório, não prevê usar em 2026 as linhas de crédito de 30 mil milhões que noticiámos a 1 de outubro. Na chamada com analistas, o diretor financeiro, Vaibhav Taneja, revelou que o investimento previsto para este ano desce para cerca de 20 mil milhões, face a "mais de 25 mil milhões" no plano anterior, a financiar sobretudo com o caixa operacional. Até setembro, a Tesla já tinha investido 13,01 mil milhões, o que deixa cerca de 7 mil milhões para o último trimestre (conta nossa).
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Abrir o comparador →No negócio automóvel, a receita foi de 20,6 mil milhões, menos 3%, e os créditos regulatórios renderam 113 milhões, contra 417 milhões. A receita da energia caiu 16%, para 2,88 mil milhões, em parte por reembolsos a clientes ligados a tarifas, embora a capacidade de armazenamento instalada tenha subido 10%, para 13,7 GWh, abaixo dos 15,9 GWh esperados. A área de serviços cresceu 33%, para 4,61 mil milhões. As entregas, de 486.532 carros, já tinham sido divulgadas a 2 de outubro. Elon Musk disse na chamada que a procura excede a produção "por uma margem significativa", e Taneja afirmou que as entregas estão limitadas sobretudo pela produção. A Electrek cita o relatório trimestral, que aponta a disponibilidade de baterias como o fator limitante.
Nos projetos de condução autónoma, a Tesla indica 1,74 milhões de subscrições ativas de FSD, mais 67%, número que, segundo a Electrek, inclui compras à vista. O Cybercab entrou na frota de robotáxis de Austin cerca de um mês antes do fim do trimestre. Ashok Elluswamy, responsável pela condução autónoma, disse que o serviço chega a Dallas no próximo mês e que os primeiros carros de clientes poderão ser incluídos na frota de robotáxis "por volta do segundo trimestre do próximo ano". Lars Moravy, responsável pela engenharia de veículos, quer entregar Cybercabs a clientes até ao fim de 2026. Musk disse que a produção do robô Optimus, em fase inicial em Fremont, levará "pelo menos um ano, talvez um pouco mais" a atingir o ritmo previsto.

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Sobre a Europa, Musk afirmou que o FSD está aprovado "em muitos países" e que ficaria surpreendido se a aprovação em toda a UE demorasse mais do que o primeiro trimestre. A UE adiou para dezembro, no mínimo, o voto sobre o sistema, e em Portugal o FSD (Supervised) continua sem autorização.
Nota editorial: cautela jornalística.
Confirmámos de forma independente, com fontes próprias, os números financeiros principais (relatório trimestral da Tesla, Electrek, Drive Tesla Canada, StockTitan e TECHi) e as declarações da chamada com analistas (transcrição publicada pela Benzinga e TeslaNorth). Não confirmámos a afirmação, citada pela Electrek, de que a disponibilidade de baterias limita o aumento de entregas, porque na transcrição da chamada o diretor financeiro fala em produção e não em baterias. Os valores das previsões dos analistas variam entre fontes. O número de países europeus com FSD aprovado vem da própria Tesla e varia entre fontes (o relatório e a TECHi falam em nove, a nossa notícia de 9 de outubro referia sete), pelo que não o incluímos. Os prazos de Dallas, de entregas do Cybercab, do FSD sem supervisão e da aprovação europeia são intenções da empresa, que já falhou datas no passado.
Imagem criada por IA.
Fontes: Tesla (relatório do terceiro trimestre e chamada com analistas), Electrek, Drive Tesla Canada, StockTitan, TECHi, Benzinga, TeslaNorth.
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