A Toyota apresenta um novo sistema híbrido com motores 1.5 de quatro cilindros e promete poupar mais de 15% de combustível, mas não diz quando chega nem a que modelos
A Toyota Motor Europe anunciou a 28 de outubro, em Bruxelas, o desenvolvimento de um sistema híbrido de nova geração para as suas futuras plataformas multi-pathway, ou seja, arquiteturas que servem na mesma base carros elétricos a bateria, híbridos plug-in e híbridos convencionais. O conjunto junta uma nova família de motores 1.5 de quatro cilindros, aspirados e turbo, a motores elétricos, unidades de controlo de potência e inversores mais leves e compactos. A marca diz que os motores foram concebidos para a eletrificação desde o início, e não adaptados a partir de unidades existentes.
A meta é uma melhoria de mais de 15% no consumo de combustível, que a Toyota atribui a menos atrito mecânico, melhor gestão térmica, menos perdas elétricas e menor resistência aerodinâmica. Trata-se de um objetivo, não de um resultado medido, e o comunicado não traz valores absolutos em litros aos 100 km. A versão aspirada do 1.5 deve cobrir a gama de desempenho que hoje cabe ao 1.8 e ao atual 1.5 de três cilindros. O sistema é descrito como muito mais pequeno do que os anteriores, o que permite capots mais baixos e proporções mais livres para os designers, sem mexer na silhueta, no espaço interior ou na capacidade do carro. Na versão do comunicado da Toyota do Reino Unido, a eletrónica de potência é em carboneto de silício, desenvolvida pela própria marca. A Toyota acrescenta que o sistema foi pensado para funcionar também com combustíveis renováveis e neutros em carbono.
A partilha da base entre elétricos, híbridos plug-in e híbridos permite, segundo a marca, ganhos de escala na engenharia e na produção, e deixa ajustar o mix de motorizações à procura. A Toyota diz ainda que pretende aumentar nos próximos anos a venda externa das suas novas tecnologias de motor e híbridas.
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Abrir o comparador →O que o comunicado não diz é longo: não há data de lançamento, mercados, modelos que recebam o sistema, potências, binários, nem percentagem de redução do tamanho. A Razão Automóvel, que cita o Automotive News, escreve que a Toyota quer chegar a cerca de 1.500 milhões de euros de vendas anuais de motores e sistemas híbridos a outros construtores em 2032, que as encomendas rondam os 500 milhões em 2026 e que as primeiras entregas poderiam começar em 2027. Segundo o mesmo relato, a família teria três motores de quatro cilindros em linha (um 1.5 aspirado, um 1.5 turbo e um 2.0 turbo) e o sistema seria cerca de 10% mais pequeno em volume e altura. Não são indicados clientes. Nenhum destes números consta do comunicado da Toyota.

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Para Portugal, o anúncio é por agora uma indicação de rumo. Não há modelos nem preços, mas os híbridos convencionais continuam a pesar nas matrículas: em setembro foram 17,6% do mercado, segundo a retificação que publicámos. Na nota aos editores, a Toyota inclui Portugal entre os países com fábricas europeias da marca, sem dizer que papel teriam nesta tecnologia.
Nota editorial: cautela jornalística.
Confirmámos de forma independente, com os comunicados da Toyota Motor Europe e da Toyota do Reino Unido, ambos de 28 de outubro, e com a Motor Illustrated: os motores 1.5 de quatro cilindros, a meta de mais de 15%, a plataforma multi-pathway, a ausência de data e de modelos e a intenção de aumentar a venda externa. Estas fontes partem do mesmo anúncio, pelo que a base é um único comunicado da marca, repetido pela imprensa. A menção ao carboneto de silício consta do comunicado britânico; a Motor Illustrated também a refere. Não conseguimos confirmar de forma independente, através de fontes públicas e gratuitas: os 1.500 milhões de euros em 2032, os 500 milhões em encomendas, as entregas a partir de 2027, a família de três motores e os 10% de redução de tamanho, que vêm do Automotive News através da Razão Automóvel, sem confirmação da Toyota, e para os quais a referência da redução não está especificada. Não encontrámos dados da Toyota para o mercado português. Não consultámos o artigo original do Automotive News.
Imagem: Toyota.
Fontes: Toyota Motor Europe, Toyota UK, Motor Illustrated, Razão Automóvel.
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