A UE planeia limitar as importações de híbridos a 350.000 por ano, mas nenhum documento chinês refere o número e os líderes europeus analisam-no a 15 e 16 de outubro
A União Europeia pretende limitar as importações de híbridos e híbridos plug-in a 350.000 veículos por ano, no primeiro ano, segundo um responsável da Comissão Europeia citado pela Reuters a 12 de outubro. A Bloomberg, que diz ter visto um documento com as medidas, acrescenta que o teto subiria 6% ao ano durante quatro anos e poderá entrar em vigor a 1 de dezembro, segundo a RTP, que cita a Lusa, e o electrive. Para respeitar as regras da Organização Mundial do Comércio, o limite abrangeria os híbridos importados de todos os países, e a quota chinesa não seria inferior à de qualquer outro exportador.
A Comissão estima em cerca de 800.000 os híbridos que viriam da China este ano, segundo o electrive, por isso um teto de 350.000 representaria 43,75% desse valor, um corte de mais de metade (cálculo nosso). O Ministério do Comércio chinês, com dados da UE, aponta 107.000 híbridos chineses importados em 2024 e 302.000 em 2025, e diz que o entendimento permite que as exportações subam face aos níveis de 2025, segundo o eletric-vehicles.com. Um teto de 350.000 ficaria 15,9% acima de 2025 (cálculo nosso). As duas leituras podem não ser contraditórias, porque partem de bases diferentes, mas as fontes não o explicam.
O presidente executivo da Renault, François Provost, disse que o aumento das importações de híbridos é "não sustentável" para a Europa e que o entendimento é "melhor do que uma guerra comercial", segundo a Reuters. O diretor executivo da Stellantis, Antonio Filosa, disse à CNBC, antes do Salão de Paris, que as autoridades europeias devem adotar proteções mais fortes para os construtores e apoiou uma regra "Made in Europe", segundo o BusinessAM, que não cita palavras suas. Nem este nem a Reuters dão uma posição de Filosa sobre o teto de 350.000.
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Abrir o comparador →A ACEA saudou o entendimento, mas pediu os pormenores. A BYD, a Geely e a Chery apoiaram o entendimento sem referir o teto, e Stella Li, da BYD, disse que ainda não tinha os pormenores, segundo o eletric-vehicles.com. Os analistas da Jefferies, citados pela Reuters, dizem que a BYD, a Chery e a MG representaram 90% das vendas de híbridos de marcas chinesas na UE nos primeiros oito meses do ano, pelo que seriam as mais afetadas.

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Em Portugal, as marcas chinesas somaram 14.423 matrículas de ligeiros de passageiros entre janeiro e julho, 9,3% do mercado, segundo a ACAP citada pelo Izzycar, e em setembro os híbridos plug-in foram 15,4% das matrículas e os convencionais 17,6%, como já noticiámos. As fontes não dizem como o teto seria repartido entre Estados-membros e não encontrámos reação do Governo nem da ACAP.
Nota editorial: cautela jornalística.
O número de 350.000 vem de duas origens distintas, a Reuters, com um responsável da Comissão, e a Bloomberg, com um documento, mas a Comissão não publicou texto e o teto depende do apoio dos líderes a 15 e 16 de outubro. O 1 de dezembro é uma data possível, não confirmada. Nenhum documento chinês refere o número, incluindo as declarações da BYD, da Geely e da Chery. A estimativa de 800.000 híbridos vem de uma só fonte, o electrive, e os 43,75% e os 15,9% são cálculos nossos. A citação de Provost vem da Reuters, e não conseguimos confirmá-la noutra fonte. Não encontrámos posição de Filosa sobre o teto.
Imagem criada por IA.
Fontes: Reuters, via WSAU; RTP/Lusa; electrive; eletric-vehicles.com; BusinessAM; InvestingLive
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