O presidente da Renault diz que poderá propor cortar 300.000 unidades de produção na Europa se a UE não der mais flexibilidade nas metas de CO2 de 2030
O presidente executivo da Renault, François Provost, avisou que, se a União Europeia não der mais flexibilidade nas metas de CO2 para 2030, terá de propor ao conselho de administração, dentro de cerca de um ano, um corte de 300.000 unidades na produção europeia do grupo. Falou na terça-feira, 13 de outubro, à margem do Salão de Paris, segundo a Reuters. Disse estar "preocupado" e perguntou se isso seria bom para a Europa.
A indústria europeia pede que as metas de 2030 e 2035 sejam suavizadas para evitar multas, e quer poder fazer a média das metas ao longo de vários anos. A Reuters não detalha o mecanismo que Provost tem em mente. A proposta da Comissão Europeia, de dezembro de 2025, já prevê que os construtores possam acumular e usar créditos de emissões entre 2030 e 2032, e baixa a meta de 2035 de 100% para 90% de redução face a 2021, segundo a DieselNet. Nas fontes, não é claro se Provost pede mais do que isso. A Comissão de Transportes do Parlamento Europeu adiou para novembro o voto sobre o "Pacote Automóvel", e a França e a Alemanha terão acordado uma meta de 80% para 2035, segundo o Handelsblatt e o FAZ.
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Abrir o comparador →Não é a primeira vez que Provost faz este aviso. Em novembro de 2025, disse que nenhum fabricante europeu tinha tecnologia ou capacidade para cumprir as metas de 2030 e que a Renault podia ter de reduzir a produção de comerciais ligeiros sem mais flexibilidade, segundo o BusinessAM. Desta vez, falou também da concorrência chinesa: estima que os fabricantes chineses são 30% a 40% mais competitivos do que os europeus, de acordo com a Agerpres, citada pela Spot Media.
A Renault foi a segunda marca mais vendida em Portugal em 2025, com 18.099 ligeiros de passageiros, mais 19,7% do que em 2024, segundo o Dinheiro Vivo. As fontes consultadas não dizem que fábricas ou modelos seriam afetados por um corte, nem se isso teria efeito no fornecimento ao mercado português.

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Nota editorial: cautela jornalística.
A declaração de Provost e o número de 300.000 unidades vêm da Reuters. A Spot Media, que parte da Agerpres e cita a Reuters e a EFE, repete os mesmos dados, mas isso não é uma confirmação independente da Reuters. Não conseguimos aceder a uma transcrição do discurso nem a um comunicado da Renault. O corte é uma hipótese condicionada, que Provost diz que teria de propor ao conselho, e não uma decisão tomada. A estimativa de 30% a 40% de vantagem competitiva dos fabricantes chineses vem de uma única fonte, atribuída ao próprio Provost.
Imagem: Grupo Renault.
Fontes: Reuters, via Boursorama; Spot Media; DieselNet; BusinessAM; Dinheiro Vivo
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