A ministra detalhou o apoio de 70% a 90% aos elétricos: vouchers nos concessionários, carros até 37.500 euros e arranque no início de 2027
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, detalhou na segunda-feira, 2 de novembro, o apoio à compra de carros elétricos para famílias carenciadas, em declarações aos jornalistas durante o debate na especialidade do Orçamento do Estado para 2027. Segundo a Lusa, a comparticipação será de 70% a 90% do valor da viatura, “até ao máximo de 15 mil euros”, com mais 1.000 euros se for entregue um carro usado para abate.
O apoio funcionará através de vouchers trocados nos concessionários, à semelhança do programa E-Lar. Poderão ser comprados veículos até 37.500 euros, novos ou usados com menos de cinco anos, obrigatoriamente num concessionário, e não poderão ser vendidos antes de três anos. O limite de 37.500 euros surge na descrição do programa feita pela Lusa e não como citação da ministra. Estes pormenores respondem em parte às dúvidas que ficaram em aberto quando o apoio foi anunciado, a 28 de outubro, sobre o abate e o preço máximo do carro.
Os destinatários mantêm-se os que já tinham sido conhecidos: famílias com tarifa social de eletricidade, que terão prioridade, e agregados com rendimento até 11.572 euros por ano, abaixo de 80% do rendimento mediano. Estima-se que haja 1,5 milhões de agregados elegíveis. A dotação é de 104,5 milhões de euros, financiados pelo Plano Social para o Clima, para cerca de 5.500 veículos, número que poderá subir cerca de mil unidades após as negociações em Bruxelas. Dividir a dotação pelo número de veículos dá 19.000 euros por viatura (conta nossa), valor acima de qualquer dos limites referidos, e as fontes não explicam a diferença. O programa deverá ser lançado no início de 2027.
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Abrir o comparador →A dúvida sobre os 15.000 euros, que já tínhamos abordado, continua por resolver. A formulação da Lusa apresenta-os como teto do apoio. O Jornal de Negócios, citado pela RTP, trata 15 mil euros antes de IVA como limite de preço, com 16 mil euros no caso de abate, e conclui que apenas três modelos vendidos em Portugal cabem nesse limite: o Dacia Spring na versão mais acessível, a 13.740 euros sem IVA, o Leapmotor T03, a 15.284,5 euros, e o Renault Twingo E-Tech, a 15.845,3 euros. Se o teto for do apoio e o preço puder chegar a 37.500 euros, um carro desse valor com comparticipação de 70% teria direito a 26.250 euros, pelo que o limite de 15.000 euros funcionaria sempre como máximo do apoio (conta nossa).

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A ministra justificou a medida com a necessidade de reduzir a dependência do diesel e com o facto de mais de 20% das famílias vulneráveis terem automóvel próprio.
Nota editorial: cautela jornalística.
Confirmámos nas versões da RTP, da AWAY e do Executive Digest, todas com origem na Lusa, e na TSF, que assina texto próprio, as declarações da ministra, a comparticipação de 70% a 90%, o teto de 15 mil euros, a majoração de 1.000 euros, os vouchers, a dotação de 104,5 milhões de euros e o arranque no início de 2027. As três primeiras contam como uma só fonte. Não conseguimos confirmar em documento oficial (regulamento, proposta de lei ou comunicado do Governo) se os 15.000 euros são o teto do apoio ou do preço do carro, nem o limite de 37.500 euros, que a Lusa não atribui diretamente à ministra. Os preços do Dacia Spring, do Leapmotor T03 e do Renault Twingo E-Tech são os do Jornal de Negócios, reproduzidos pela RTP, e não os confirmámos nos sites das marcas. O programa ainda não foi aprovado nem regulamentado.
Imagem criada por IA.
Fontes: Lusa (via RTP, AWAY e Executive Digest); TSF; Jornal de Negócios (citado pela RTP).
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