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A T&E propõe que os incentivos aos híbridos plug-in exijam um depósito máximo de 15 litros e 200 km de autonomia elétrica real até 2030

Redação Eletrificados · 2 de novembro de 2026·4 min de leitura
A T&E propõe que os incentivos aos híbridos plug-in exijam um depósito máximo de 15 litros e 200 km de autonomia elétrica real até 2030

A Transport & Environment (T&E), organização europeia dedicada aos transportes limpos, propõe que os incentivos aos híbridos plug-in passem a ter como critérios um depósito de combustível de, no máximo, 15 litros, pelo menos 200 km de autonomia elétrica real até 2030, carregamento rápido em corrente contínua acima de 100 kW e um motor elétrico com o triplo da potência do motor de combustão, no mínimo. A proposta consta do relatório "Still smoking: the PHEV emissions scandal continues", de 15 de outubro, e é uma recomendação da T&E, não uma regra da União Europeia. O relatório não indica por que instrumento o limite de 15 litros seria aplicado, e refere apenas políticas direcionadas, como a homologação, e incentivos fiscais. Para os melhores modelos, a T&E quer pelo menos 300 km de autonomia elétrica.

A organização apoia-se em dados de cerca de 220.000 plug-in com monitores de consumo, reunidos pela Agência Europeia do Ambiente. Os modelos registados em 2024 emitiram, na utilização real, cerca de seis vezes o valor oficial, 145 g/km de CO2 contra 24 g/km no ciclo WLTP, segundo a T&E, depois de cerca de cinco vezes em 2023. Os plug-in fazem cerca de 27% dos quilómetros em modo totalmente elétrico, e as emissões reais ficam só 14% abaixo das dos carros a combustão e dos híbridos convencionais, contra os 83% que os testes oficiais sugerem. A T&E calcula que um plug-in de 2024 custe cerca de 1.810 euros por ano em energia, contra 1.130 euros pelos valores oficiais. O ICCT tinha chegado a 4,6 vezes para 2023, como noticiámos.

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A T&E defende também que se mantenha a correção prevista dos fatores de utilidade, que servem para estimar a parte do percurso feita em modo elétrico, com aplicação a novos modelos a partir de 29 de novembro de 2026 e a todos os carros novos em 2027. Segundo a organização, os fabricantes procuram, através da ACEA, enfraquecer estas regras, e congelar os fatores ao nível de 2025/26 faria subestimar as emissões reais dos plug-in em 56%. Os construtores já responderam em parte: dos 20 plug-in mais vendidos de 2025 que a T&E analisou, que somam 51% das vendas, os que foram melhorados passaram de uma bateria média de 14 para 24 kWh e de 63 para 117 km de autonomia elétrica, como o Volkswagen Tiguan, que foi de 55 para 119 km e tem 36 g/km oficiais.

Em Portugal, o relatório descreve um regime que já usa parte destes critérios. O limite de CO2 para o desconto no ISV e para a tributação dos carros de empresa subiu de 50 para 80 g/km, mas mantém-se a exigência de 50 km de autonomia elétrica, como explicámos. A T&E refere que Portugal e Espanha são os dois únicos Estados-membros que combinam um limite de CO2 com uma autonomia elétrica mínima, mas que Portugal não está entre os 12 com limite de 50 g/km ou mais exigente, e que as empresas registam quase nove em cada dez plug-in no país, a quota mais alta da UE.

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Nota editorial: cautela jornalística.
Os dados e as propostas constam do relatório da T&E, que consultámos, e são reproduzidos pela electrive (16 de outubro), pela InsideEVs (18 de outubro) e pelo AutoGear (2 de novembro), mas todos dependem da T&E, que é uma organização de defesa de políticas e não uma fonte independente dos números. Os 145 g/km e 24 g/km constam de um texto da T&E sobre dados da UE, e o relatório não dá uma média de g/km para 2024. O AutoGear indica 139 g/km para 2023, e a T&E 138, por isso não usámos o valor de 2023. As datas da correção dos fatores de utilidade são as que a T&E indica, e não encontrámos o texto legal. A descrição do regime português coincide com o que já confirmámos com fontes portuguesas, mas o dado das empresas com quase nove em cada dez plug-in só consta da T&E. O AutoGear refere ainda depósitos de cerca de 70 litros nos plug-in chineses, o que não confirmámos e não incluímos.

Imagem criada por IA.

Fontes: T&E (relatório), T&E (dados da UE), electrive, InsideEVs, Auto SAPO (AutoGear).

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